quinta-feira, 18 de junho de 2015

Nascimento do Samuel - 33 semanas e um dia

Madrugada de segunda para terça-feira, 9 de junho de 2015, mamãe começa a passar mal, sentir dores fortes na região abdominal. Em um primeiro momento ela pensa que é apenas uma dor de barriga. Levanta, deita, senta, anda....a dor vai e volta, dura segundos.
Volta para cama e tenta dormir, cochila, mas as dores vão e voltam...
Um leve sangramento de cor rosa aparece, mamãe fica muito preocupada. Papai levanta em alguns momentos pergunta se esta tudo bem? E diz para mamãe tentar dormir..
Despertador toca as 7h hora do Papai ir trabalhar. Ele pergunta se esta tudo bem? Mamãe não quer preocupa-ló diz que sim, e que pode r trabalhar e que caso as dores continue ela liga pra ele.
Assim que ele vai para o trabalho, mamãe telefona para vovó e  relata o que está sentido. Vovó acha que devem ser contrações... Em seguida, mamãe liga para tia Pamella, amiga médica, e comenta o que estava acontecendo. Ela acredita que devo estar em trabalho de parto e manda a mamãe ir imediatamente para o hospital.
Já desligo pensando em ligar para a vovó, mas ela nem esperou, já voltou do trabalho para casa  e esta subindo as escadas desesperada.
Pego uma camisola, um chinelo, uma escova de dente e duas calcinhas...ainda não tenho certeza se estou em trabalho de parto, podem ser apenas cólicas.
Suas roupinhas de maternidade (sim, eu tenho esperança, lembra?) estão todos na casa da madrinha Fátima. Ela ficou de lavar e passar tudo. Mas ainda estamos com 33 semanas, acho que ainda não esta na hora(penso naquele momento).
Partimos rumo ao hospital Octaviano Neves, não sei bem se devo ir para lá, mas é a única referência que tenho. Lembra da última vez que fomos parar lá?Com 27 semanas? Ainda não era a hora...mas desta vez o corpo quem esta dizendo, na última foram os médicos que disseram.
Chegamos por volta das 9h20 da manhã preenchemos as fichas e aguardamos o médico de plantão. Quantas grávidas, quantos nascimentos parecem que vão acontecer naquele hospital hoje...será que chegou o nosso dia? Vovó me lembra que hoje e aniversário do titio Tico, será que você vai nascer no dia do aniversário dele? Vai ser uma alegria, não acha?
As cólicas, ou melhor, as contrações pioram cada vez mais. Duravam em torno de 10 a 15 segundos em um curto espaço de tempo, que não consigo ter certeza, se são 10 minutos, as vezes 15, as vezes 6 minutos.
É uma cólica forte, ao mesmo tempo, eu sentia umas fisgadas na vagina...É uma alivio quando passa, parece que nada aconteceu. É uma dor suportável (falando uma semana depois), mas na hora parecia ser insuportável.  Mas passa!
A enfermeira mede minha pressão e faz algumas perguntas e me encaminha para o ultrassom.
Esperar o ultrassom foi muito dolorido, as contrações pioraram e as horas pareciam não correr.
Neste tempo de espera recebo a ligação da amiga Ruth do IES, Grupo Espírita do Rio de Janeiro que tem feito a distância um tratamento espiritual em mim e em você, ela me diz para ficar calma e relaxar quando vier as contrações. Diz ainda que esta orando por nós.
No ultrassom o mesmo de sempre: a megabexiga e a falta de liquido aminótico. O médico disse que não tinha nenhum, nenhum liquido...Ele olha, olha e o ultrassom parece demorar uma eternidade.
Desta vez ele não me mostra você...
Com o ultrassom nas mãos volto para esperar o médico de plantão...fico feliz de ser atendida por uma médica grávida de nove meses...acho que ela vai entender meus medos e minhas angustias.
Ela me examina, diz que está na hora, que já consegue sentir seu pezinho, ou seria, o cordão umbilical? Descubro posteriormente que neste momento eu tinha cinco centímetros de dilatação.
Sim é a hora...meu coração dispara, mas, ao mesmo tempo, vem uma tranquilidade, uma serenidade que eu nem sei de onde é?
A enfermeira tira minha roupa, coloca o avental, me coloca numa cadeira de rodas. E manda a vovó ir na recepção preencher minha fica.
Ligo pro Papai, mas ele não atende, esta desligado(Como eu queria falar com ele)...mando uma mensagem pelo watsapp: está na hora! Vem para cá!...A médica diz que acha difícil ser parto normal, diz que vai conversar com um outro médico antes de decidir.
Eu digo a ela que a única coisa que eu quero e te ver: vivo ou morto, bonito ou feio. Mas que meu grande sonho é ver você vivo, nem que seja por alguns instantes.
Eu ligo para a terapeuta Liliane, mando mensagem para a Ruth do IES, para a Paulinha e Erika. E telefono para tia Pamella, comento sobre a possibilidade da cesariana...não consigo dizer mais nada, a enfermeira pede o telefone, minha mãe me dá um beijo e minha abençoa. E  hora de tirar a aliança.
Subo no elevador acompanhada da enfermeira que diz para eu ficar tranquila.
Mas eu estou!
Sou transferida para uma maca e levada para a sala do parto, fico sozinha por alguns segundos, e olho tudo em volta e oro, peço a Deus proteção, peço para cuidar de você, sinto a presença do vovó Aldair... E entrego!!!
A enfermeira volta, chega o anestesista...ainda não sabemos se vai ser cesariana ou não.
Tomo a primeira analgesia, uma picada forte na coluna...
Pamella chega, se apresenta como médica e como minha amiga.
Como é bom ver alguém que ama naquele momento.
A médica sobe diz que eles vão tentar fazer um parto normal...fico feliz, aliviada. Ela diz ainda que é para eu ir para sala de pré-parto e que vai colocar um ocitocina no meu soro.
Vamos para sala de pré-parto, titia Pamella esta comigo e comenta sobre a vida, trabalho. Mamãe consegue distrair e relaxar um pouco.
Pamella diz que papai ja chegou e que esta com a vovó lá embaixo na recepção. Eles vão subir na hora do parto...
Fico mais tranquila.Vovó e Papai estão nervosos, melhor tia Pamella ficar aqui. Ela conversa de igual para igual com os médicos. Além disso, ela explica a sua situação para cada um deles e a mamãe não precisa ficar repetindo as palavras: megabexiga, osmoralidade alta, rins não funcionando...e malformação.



O RENASCIMENTO

Passado um tempo as contrações voltam, minha perna treme e digo que estou sentindo muita dor.
Titia Pamella chama o anestesista e ele me aplica mais um pouco de analgesia.
Alivia um pouco as contrações, mas de repente sinto algo estranho entre as pernas.
Falo com a titia Pamella e ela diz que é cordão umbilical que está para fora.
Ela chama com rapidez a enfermeira e os médicos.
Um batalhão me socorre, levando minha maca para sala de cirurgia.
No caminho para sala, escutam seu coração...parecem nervosos e aflitos.
Mas a mamãe esta calma, apesar do coração acelerado.
Tiaia Pamella comenta o seu caso com a pediatra que acabara de chegar, Doutora Rita.
Eles mandam eu fazer força, segura na maca...força, força...um médico pressiona minha barriga para baixo, empurrando você.
Me sinto esgotada e sem forças, mas continuo fazendo forças, buscando forças não sei de onde.
A enfermeira grita não para continua fazendo força....
Vejo algo saindo de dentro de mim...sinto uma dor forte, como se tivesse me rasgando, e um alivio quando percebo que sua cabecinha Samuel saindo.
Estou ofegante....
Papai adentra na sala de parto nesta hora. No momento que eles acabaram de tirar você de dentro de mim e cortam seu coração umbilical...Ainda estou ofegante, olhos arregalados e coração muito acelerado. Só consigo olhar para o lado direito e ver a pediatra te examinando...Meu amor como é bom te ver de verdade...
Respiro e pergunto se você esta vivo: A pediatra diz que sim, que seu coraçãozinho esta batendo. Ela pergunta se sabemos o sexo e se já tem um nome: Mamãe diz que sim: Samuel!
E a pediatra, de uma forma muito gentil, diz: Eu te batizo Samuel.
Ela diz que esta acabando te examinar e que já, já vai te colocar em meus braços.
Mamãe esta paralisada te olhando, um misto de emoções invadem meu peito, meu coração.
A pediatra levanta minha camisola coloca você em meu peito.
E eu choro...choro...choro!
E eu te olho e te digo: - "Ei amor da mamãe".
Você suspira, parece buscar ar...só um olhinho aberto que me olha...
Titia Pamella pega uma cadeira pro Papai que, claro, também esta chorando...
E o mundo para completamente...eles me perguntam algo, mas eu não escuto...(no vídeo dá para vê que eles me perguntam algo três vezes)...mas eu estou completamente paralisada. Encantada com você ali...como esperamos este encontro.
Quando você veio para o meu colo, ele colocaram uma fralda te cobrindo.Depois de alguns minutos eu levanto para vê: sua bexiga está para fora, seus pés e pernas são tortos, apenas um olhinho esta aberto...mas nada importa, se algumas vezes fiquei com medo de como seria te ver com muitos problemas físicos, naquele momento nada importava, você era lindo meu amor...lindo!
E pela primeira vez eu entendo os médicos e o que eles diziam quando falavam que era um milagre você estar vivo com 33 semanas de gestação.
Você era um guerreiro, que lutou muito para viver...nem que seja para despedir da gente.
Papai me mostrou sua boca, sobrancelha, cabelo....tudo parecia com o papai. Como pode? Haaaaaaa mas os dedões eram da mamãe, viu? Iguais os do vovô Aldair.
Eu disse várias coisas em pensamento à você: eu dizia que eu te amava, que eu nunca te esqueceria e cantarolei a música do Djavan para você "Te quero mais que tudo, tudo, tudo...te amar sem limites...viver uma grande história"
Em voz alta eu disse: "Amor da mamãe, nos te amamos muito. A cura que queremos para você é a espiritual. Eu vou te amar para sempre".
Enquanto você estava no meu colo, a pediatra te examinava, ouvia seu coraçãozinho.
Papai lembrou de pedir a tia Pamella para tirar fotos e até filmou você no meu colo.
Mamãe sem forças e com as pernas dormentes não conseguia levantar para te beijar. Mas ela conseguia beijar seus pés, acarinhar seu rosto e dizer que te amava.
Papai chorava e perguntava a mamãe se estava tudo bem, se eu estava sentindo dores.
Enquanto você estava no meu colo: o médio, Dr. Northon, apertava minha barriga, tirando a placenta que ainda estava dentro de mim, e depois me costurou e eu não sentia nada, o mundo realmente parou.
Acho que depois de uns quinze minutos de você comigo, sentindo meu calor, e mudando sua cor de azul para cor de pele...a pediatra disse que deveria te levar para a incubadora para te dar um pouco de calor...eu disse que concordava e que eu queria muito que a vovó te conhecesse, ainda vivo.
Então ela pegou você no meu colo e antes de sair, deixou que eu te desse um beijo, aquele que eu não consegui dar em sua cabeça e te abençoar...o último beijo! E eu repeti: Eu te amo filho!



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