Leitura consoladora
A.K.:Se uma única existência tivesse o homem e se, extinguindo-se-lhe ela, sua sorte ficasse decidida para a eternidade, qual seria o mérito de metade do gênero humano, da que morre na infância, para gozar, sem esforços, da felicidade eterna e com que direito se acharia isenta das condições, às vezes tão duras, a que se vê submetida a outra metade? Semelhante ordem de coisas não corresponderia à justiça de Deus. Com a reencarnação, a igualdade é real para todos. O futuro a todos toca sem exceção e sem favor para quem quer que seja. Os retardatários só de si mesmos se podem queixar. Forçoso é que o homem tenha o merecimento de seus atos, como tem deles a responsabilidade.
Aliás, não é racional considerar-se a infância como um estado normal de inocência. Não se vêem crianças dotadas dos piores instintos, numa idade em que ainda nenhuma influência pode ter tido a educação? Alguns não há que parecem trazer do berço a astúcia, a felonia, a perfídia, até pendor para o roubo e para o assassínio, não obstante os bons exemplos que de todos os lados se lhes dão? A lei civil as absorve de seus crimes, porque, diz ela, obraram sem discernimento. Tem razão a lei, porque, de fato, elas obram mais por instinto do que intencionalmente. Donde, porém, provirão instintos tão diversos em crianças da mesma idade, educadas em condições idênticas e sujeitas às mesmas influências? Donde a precoce perversidade, senão da inferioridade do Espírito, uma vez que a educação em nada contribuiu para isso? As que se revelam viciosas, é porque seus
Espíritos muito pouco hão progredido. Sofrem então, por efeito dessa falta de progresso, as conseqüências , não dos atos que praticam na infância, mas dos de suas existências anteriores. Assim é que a lei é uma só para todos e que todos são atingidos pela justiça de Deus.
*CAPÍTULO IV - DA PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS - Livro dos espíritos
A curta duração da existência de algumas crianças é, por vezes, influência da existência passada, que foi interrompida antes de cumprir seus dias na pauta da vida. O que ficamos devendo, haveremos de saldar. Entretanto, pode ser igualmente,como caso mais fácil, um Espírito que somente deve dias, ou meses, e mesmo anos para conquistar sua alforria na Terra, passar a pertencer a esferas elevadas, servindo também para provações dos pais, que sempre reajustam alguma coisa com esse fato que abala os seus sentimentos. O nada se perde, cabe nesses acontecimentos; tudo se transforma em lições valiosas, na universidade de Deus.
As idades em que os Espíritos deixam o fardo físico na Terra são diversas, na diversidade das necessidades de cada um. Basta que olhemos com os olhos da alma, e compreendamos com a compreensão que a vida nos dotou. Tanto se vive por fração de minuto no mundo corpóreo, como por mais de um século. O Senhor é consciente do que sucede na Sua vinha, que poderemos chamar de Vinha de Luz. Não existe injustiça em nós, nem fora de nós, nos Espíritos, nem nas coisas; tudo tem uma razão de ser na vastidão infinita da criação. Poderemos viver felizes, no entanto, essa felicidade dependerá do nosso esforço, porque Deus já nos deu todas as oportunidades de adquiri-la.
Despertemos, caminhemos e confiemos, que Deus Se encontra onde estivermos. Ele se acha onde não pensamos; Ele é vida que irradia até mesmo onde não há criação, apesar de tudo que pensamos sobre Deus, ainda assim, não encontramos o perfil do Senhor. Ele está além do raciocínio humano. Se ainda não nos conhecemos, como querer conhecer Deus? As distâncias são imensuráveis. Estamos vivendo no finito; assim, como conhecer e explicar o infinito? Fomos criados por Ele, e Ele é incriado. Qual a mente que pode explicar o que não foi feito? Qual a matemática que pode somar, onde não existem números? Até os modos de adorar a Deus na Terra são rudimentares. Somente palavras não prendem a atenção do Criador, Soberano do Universo!
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